Assassin’s Creed Origins – Análise completa A3G

Assassin’s Creed Origins leva a franquia ao Egito antigo, confira a nossa análise completa do game.

Mais um título da aclamada franquia da Ubisoft chega ao mundo dos games, Assassin’s Creed Origins traz novidades no gameplay em um imenso mundo aberto, repleto de vida, no antigo Egito.

Houve um tempo em que a Ubisoft decidiu criar um novo Assassin’s Creed a cada ano, isso acarretou em bugs que precisaram ser corrigidos em atualizações.

Felizmente, a publisher percebeu que isso não era uma boa ideia e Assassin’s Creed Origins foi lançado mundialmente no dia 27 de Outubro deste ano, pouco mais de dois anos depois de Assassin’s Creed Syndicate, lançado em 23/10/2018, o título anterior da série.

Assassin’s Creed Origins comemora os 10 anos da franquia, o jogo nos leva ao início de tudo, para quando a Irmandade dos Assassinos foi criada. Ele se passa no Egito antigo, na época do reinado de Ptollomeu XIII. O protagonista se chama Bayek, um Medjay, espécie de ranger do deserto que parte em busca de vingança contra uma certa ordem,  que parece ser uma predecessora dos templários, onde os membros usam umas máscaras.

Como de costume na franquia, contracenamos com personagens históricos como Júlio César e Cleópatra. Nossa viagem passa por várias regiões do norte da África e nos vemos em meio a tramas políticas e sociais que mudaram o Egito para sempre.

Bayek é um personagem carismático, não vou compará-lo com o Ezio Auditore, mas ele também traz uma personalidade cativante que prende a nossa atenção. O protagonista tem forte influência em alguns eventos históricos, tornando-o um personagens importante. conectado a outros pontos fortes da história principal da franquia.

Nosso protagonista é um cara respeitado, as pessoas o admiram, o escutam e é claramente uma figura marcante na sociedade em que vive. Apesar disso, sua personalidade é bem leve, com alguns momentos de descontração em que ele brinca com a situação ou demonstra ternura e afeto às pessoas ao seu redor.

Ao longo das missões principais e secundárias, isso fica bem evidente. Em muitas delas você vai estar ajudando algum cidadão indefeso, crianças, curandeiras e pessoas comuns em situações que precisam de uma mãozinha de alguém mais corajoso e capaz. Nos diálogos vemos que Bayek realmente se importa com os outros, nada de anti-herói por aqui, ele é claramente um cara do bem.

Em Assassni’s Creed Origins, vemos um mundo em mudanças, durante a campanha principal que dura em média umas 30 horas. A ambientação do jogo foi muito bem construída e vemos um mapa enorme (embora não seja o maior da série) com muita, muita areia… é areia que não acaba mais. A história é interessante, prende a nossa atenção. E embora o vilão principal não seja nada de especial, ele não deixa a desejar.

Existe a opção de jogar com o áudio e legendas em português do Brasil, as vozes são bem feitas, apesar de que em alguns personagens, ela não combine muito bem com sua fisionomia, mas no geral está ok! Temos de ficar felizes com a opção do jogo ser totalmente em português e mesmo que em inglês, sei idioma original, o trabalho seja mais bem feito, ainda assim temos de ser gratos a Ubisoft por se esforçar em fazer uma dublagem digna e por valorizar o mercado brasileiro. Quem optar por jogar dublado vai poder aproveitar o jogo numa boa e entender tudo sem dificuldade.

Nos mapas em meio ao deserto, vemos alguns oásis e comunidades formadas em torno de fontes de água. Nesses pontos existe uma vegetação abundante e muito bonita. A chuva aparece, mas é rara, em alguns momentos, tempestades de areia começam de repente e nos pegam de surpresa.

As cidades são repletas de vida e detalhes, as construções seguem um belo trabalho de arquitetura, que cria ambientes bonitos e condizentes com os aspectos visuais que esperemos ver em um mundo inspirado no Egito antigo.

Na maior parte do tempo, exploramos o cenário a pé, mas temos também um camelo ou cavalo (que se diferem apenas esteticamente) para nos locomovermos mais rapidamente e uma águia, que nos ajuda a visualizar o mapa do alto, algo parecido com o que vemos em jogos da franquia Far Cry, também da Ubisoft. Outra utilidade da águia, é que ela nos ajuda na hora dos combates, perturbando os inimigos que ficam ocupados com ela e não nos atacam enquanto isso.

A inteligência artificial dos inimigos e dos NPCs foi aperfeiçoada, vemos que os humanos e mesmo os animais, não repetem os mesmos padrões o tempo todo, o que dá a sensação de que tudo está vivo.

Além das 30 horas de campanha, o jogo traz várias missões secundárias interessantes, muitas delas trazem informações sobre o passado de Bayek e mostram a sua personalidade e envolvimento com outros personagens. Além disso existem desafios como corridas, lutas em arena, vinganças (desafio de encontrar um assassino de uma pessoa que encontramos morta) e exploração de tumbas. Isso tudo aumenta consideravelmente a vida útil do game.

Quem gosta de aproveitar um jogo para aprender alguma coisa e enriquecer um pouco a sua cultura, Assassin’s Creed Origin trará até um modo dedicado a isso, o DIscovery Tour (já falamos dele aqui no site, clique e confira). Mas mesmo enquanto ele ainda não estiver disponível, já dá para encontrar várias referências históricas espalhadas pelo jogo. Em cada local interessante, em cada acontecimento, é possível encontrar alguma informação educativa que foi colocada ali discretamente. Este é um ponto em destaque e que vai agradar quem se interessa por cultura egípcia, isso pode até servir de desculpa para convencer alguém de que o jogo vale a pena.

Dessa vez o jogo tem bem menos problemas do que o esperado em seu lançamento e um primeiro pacote de atualização já foi lançado um dia depois do lançamento. Alguns bugs aparecem na hora de escalar algum objeto, na inteligência artificial, na renderização, coisas típicas de jogos com mapas grandes em mundo aberto, mas nada que tenha atrapalhado a nossa experiência no gameplay. Todos os bugs que encontramos até o momento não incomodaram muito, alguns foram até engraçados, mas provavelmente a Ubisoft vai lançar um pack de correções em breve.

O visual deslumbrante do jogo tem um preço alto para as versões convencionais dos consoles PS4 e Xbox One, em alguns momentos vemos quedas na taxa de quadros por segundo, mas não chega a atrapalhar a experiência, provavelmente isso não vai ser um problema para quem tem um PS4 Pro ou para quem tiver um Xbox One X no futuro.

Quanto a jogabilidade, a mudança mais perceptível aparece na hora dos combates. Nosso personagem consegue enfrentar facilmente um número limitado de inimigos, mas quando eles se juntam fica complicado, algo muito diferente dos outros jogos da franquia. Quando conseguimos travar a câmera em um único inimigo, fica tranquilo observar seus movimentos e reagir apropriadamente, porém, em alguns momentos onde existem vários ao mesmo tempo, isso ao invés de ajudar, pode acabar atrapalhando. A dica que eu dou é: elimine os inimigos mais fracos primeiro, se afastando dos mais fortes sem travar a mira em ninguém, para depois se concentrar no inimigo mais forte com a mira travada nele.

Se a mecânica dos combates melhorou, agir em stealth não está tão fácil quanto antigamente, é preciso se acostumar com o timing das ações e com os controles, que não respondem com tanta facilidade quanto em outros jogos, isso a princípio pode incomodar quem já jogou os outros Assassin’s Creed, mas é questão de costume, talvez seja uma maneira de tornar o jogo mais desafiador.

Existe uma árvore de habilidades para evoluir o personagem, ela se divide em caçador, que aprimora habilidades de assassinato furtivo e caça, lutador, que te torna melhor nos combates e vidente, que dá habilidades especiais e capacidade de uso de itens diferenciados como bombas e venenos. Podemos usar vários tipos de armas, como espadas, adagas, bastões e lanças além de quatro diferentes opções de arco, o que diversifica bastante a jogabilidade.

Conclusão:

Assassin’s Creed Origins recria com muita riqueza de detalhes o nosso ideal de Egito antigo. O jogo traz várias informações históricas e oferece a oportunidade de aprender mais sobre esta era que foi um dos berços da nossa civilização. As mudanças na jogabilidade, especialmente nos combates, foram muito bem vindas, porém, os comandos estão um pouco mais confusos na hora de agir em stealth. Graficamente o jogo está incrível, o visual é tão deslumbrante, que em alguns momentos gera algumas quedas na taxa de quadros por segundo, mas não chega a atrapalhar. O game foi bem finalizado e restaram poucos bugs típicos de jogos com um grandes mapas em muito aberto. Assassin’s Creed Origins é um jogo com potencial de resgatar o bom nome da franquia que ficou deixada de lado por um tempo. Quem já foi fã da série vai se encantar novamente e quem nunca jogou nenhum dos outros títulos, vai ter a oportunidade de conhecer o que há de melhor em um jogo que carrega o nome Assassin’ Creed.

Agradecimentos: Deixamos aqui o nosso muito obrigado ao Felipe Ribeiro da Rosa Arrais Comunicação, que atua na Brasil Game Show, a maior feira de games da América Latina, por ter nos dado esse jogo para realizarmos o nosso review, valeu mesmo!

Rosa Arrais